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BC vê problema de superendividamento e aponta salto em empréstimos sem garantia

Em relatório sobre cidadania ‌financeira, o BC afirmou que a digitalização e a ampliação de acesso a linhas de crédito têm aspectos positivos

O Brasil ⁠registrou nos últimos anos uma explosão nas concessões ⁠de empréstimos pessoais sem garantia e um comprometimento de renda cada ‌vez maior das famílias com cartões de crédito, apontou o Banco Central nesta segunda-feira, classificando o superendividamento como “um problema crescente” no país.

Em relatório sobre cidadania ‌financeira, o BC afirmou que a digitalização e a ampliação de acesso a linhas de crédito têm aspectos positivos, mas expõem pessoas ao superendividamento, o que demanda ações na área de educação e “medidas robustas” de regulação e supervisão.

“A facilidade de acesso ao crédito, sem uma oferta responsável e adequada ao perfil ⁠do ‌cliente por parte das instituições, sem uma devida proteção ao consumidor e, ⁠não menos importante, sem a devida educação financeira, leva muitos brasileiros a contraírem dívidas que não conseguem pagar”, disse a autarquia.

A poucos meses do início do período eleitoral, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve tentar a reeleição, o governo se prepara para anunciar um ​novo pacote nL1N40Q0SC de medidas para aliviar famílias endividadas, com a previsão de renegociação de dívidas com desconto a partir da concessão de garantias ​pela União.

O governo já havia implementado outro programa com esse objetivo entre 2023 e 2024, o Desenrola, que renegociou R$53 bilhões em dívidas de aproximadamente 15 milhões de pessoas. No entanto, dados de endividamento da população seguiram em alta em meio a iniciativas de estímulo ao crédito e ‌taxas de juros elevadas.

Dados do BC mostram que o ​número de brasileiros com empréstimo pessoal sem garantia mais que triplicou desde 2020, atingindo 41,7 milhões de pessoas no final de 2024.

No mesmo período, o número de clientes com dívidas no ⁠cartão de crédito, nas ​linhas do rotativo ou ​parcelado, subiu 55%, alcançando cerca de 53 milhões de pessoas.

Segundo o relatório, o número de cartões ⁠de crédito ativos no Brasil superou 220 ​milhões, o que significa que o país passou a ter mais cartões em uso do que habitantes. São quase 96 milhões de pessoas usando cartão de crédito, e ​mais da metade tem dívidas no rotativo, com juros que ultrapassam 430% ao ano, ou parcelado, com taxas médias de cerca ​de 200% ao ano.

Com ⁠a ampliação do uso e taxas de juros em trajetória de alta, o comprometimento médio de renda ⁠do usuário do cartão de crédito com gastos nesse instrumento financeiro passou de 38,5% em 2020 para 54% em 2024.

No relatório, o BC ainda apontou necessidade de aprofundar estudos sobre o fenômeno das “bets”, que pode intensificar riscos de endividamento e perda de renda, especialmente entre públicos mais vulneráveis.