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Ibovespa renova recorde 9 vezes em 2026: Até quando dura o otimismo?

Política monetária, cenário eleitoral e ambiente externo são principais fatores que podem mudar caminho de valorização da bolsa brasileira

O Ibovespa renovou a máxima histórica nove vezes em 2026, superando pela primeira vez o patamar dos 185 mil pontos no fechamento e os 187 mil em novo recorde intradia, ambos no pregão do dia 3 de fevereiro.

O mês de janeiro foi encerrado com valorização de 12%, no melhor desempenho mensal desde novembro de 2020 e terceiro melhor mês desde 2010, liderando o ranking de principais investimentos do ano.

O principal motor desse otimismo é o fluxo de capital estrangeiro, que se consolida como protagonista desse movimento, em um momento de rotação global de portfólios em busca de diversificação que favorece os países emergentes, como o Brasil.

De acordo com dados da B3, a entrada líquida de estrangeiros no mercado secundário de ações foi de cerca de R$ 26,3 bilhões em janeiro, montante acima de todo o saldo positivo de 2025, de aproximadamente R$ 25,5 bilhões.

Apesar do grande fluxo estrangeiro entrando na bolsa brasileira, o economista Felipe Paletta defende que também há um movimento do investidor brasileiro voltando aos ativos de renda variável com a perspectiva de corte de juros no radar.

“Muita gente estava fora de bolsa, principalmente a indústria local de fundos de investimentos. Eles foram saindo de bolsa ao longo dos últimos cinco anos, e quando a Bolsa começa a se movimentar nessa direção [positiva] e a política monetária começa a apontar juros para baixo, vai ficando cada vez mais óbvio esse posicionamento”, explica.

Os especialistas apontam que a depreciação do dólar e a busca pela diversificação global atraem os estrangeiros para a bolsa brasileira.

Para Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, países com taxas mais atrativas e ativos descontados ganham destaque nesse cenário e o Brasil se encaixa perfeitamente nesse perfil. Além da sinalização de que a taxa de juros deve começar a cair em breve, impulsionando os ativos de risco.

O estrategista de ações da XP, Raphael Figueredo, lembra também que existe uma corrida para as commodities, sobretudo os metais preciosos, como alternativa, o que favorece o mercado brasileiro.

"O Copom deixou a porta aberta para iniciar o processo de queda de juros com muita serenidade a partir da próxima reunião, é um catalisador importante para que a gente continue em um processo de manutenção dessa tendência de alta, ainda que correções intermediárias venham pela frente."

A equipe de research da XP atualizou as projeções para o Ibovespa, elevando a estimativa de valor justo do índice para 190 mil pontos em 2026 (de 185 mil pontos anteriormente). Além disso, o time de analistas avalia que, em um cenário otimista, a bolsa tem potencial de chegar aos 235 mil pontos.

De acordo com Sene, da Rico, o rali da bolsa deve continuar enquanto o capital externo encontrar no Brasil um mercado com valuations atrativos. Mas, depois de uma sequência intensa de altas e renovação de máximas, o mercado pode passar por dias negativos, como o visto na última quarta-feira (4) que o Ibovespa encerrou com queda superior a 2%.

“É natural que o mercado passe por correções técnicas ou períodos de acomodação. O que não significa, necessariamente, o fim do movimento de alta. A sustentabilidade da alta vai depender, sobretudo, da confirmação do ciclo de queda dos juros, do comportamento do fluxo estrangeiro e da evolução do cenário doméstico ao longo do ano”, explica Sene.

Paletta também acredita que o mercado vai passar por correções depois de tantas altas neste início de ano. Para o economista, a volatilidade do índice não depende somente fatores domésticos, mas o cenário eleitoral deve fazer preço no mercado durante o ano.

"Cada vez mais esse ano vai ser movimentado, principalmente nos próximos meses em que a política vai ficando mais vocal. Esses fatores podem contribuir para uma correção”, avalia.

O que pode frear a bolsa?

A política monetária, o cenário eleitoral e o ambiente externo são os principais fatores que podem mudar o caminho de valorização da bolsa, de acordo com os especialistas.

Segundo Figueredo, da XP, o contexto global é fundamental para a continuidade do bom desempenho da bolsa brasileira, já que o investidor estrangeiro é o protagonista das consecutivas máximas do Ibovespa.

Para o especialista, um dos motivos que pode barrar o fluxo de capital para países emergentes é o aumento dos juros longos em países de economia desenvolvida.

“Se os juros longos dos países de economia desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, dispararem por um contexto de falta de confiança na parte fiscal ou pela expansão do populismo, o fluxo de dólar para mercados emergentes pode ser interrompido”, explica.

Aí, entra a política monetária brasileira. O Copom (Comite de Política Monetária) do BC (Banco Central) indicou em sua última decisão de juros que deve cortar a Selic em sua próxima reunião, a ser realizada entre os dias 17 e 18 de março.

Mudanças bruscas no discurso ou no ritmo de queda da Selic podem mexer com o humor dos investidores.

“Se o Copom frustrar as expectativas do mercado, o impacto pode ser sentido principalmente nos setores mais sensíveis aos juros”, avalia Sene, da Rico.

E, por fim, um dos temas que movimenta o mercado brasileiro são as eleições presidenciais e o desenho de um novo arranjo político. Para Sene, a deterioração do cenário fiscal ou político local, à medida que o debate eleitoral de 2026 ganhe mais espaço, aumenta a volatilidade do mercado.

Ainda assim, Figueredo acredita que as eleições não devem barrar o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira.

"O capital estrangeiro está passando por cima de todos os nossos problemas porque é um fator global muito maior do que a eleição. Isso não tira a importância da eleição, mas por mais que a eleição possa oferecer um risco de mercado, esse risco será ponderado pelo fluxo de capital estrangeiro”, explica.

Câmbio

O dólar encerrou o mês de janeiro em queda de 4,39%. A moeda norte-americana chegou a ser cotada abaixo dos R$ 5,20, no menor valor desde maio de 2024.

Para João Duarte, sócio da ONE Investimentos, no curto prazo o dólar tende a permanecer pressionado, com espaço limitado para altas consistentes enquanto o fluxo externo seguir positivo e o cenário global favorecer risco.

“Mais adiante, a dinâmica pode mudar conforme o Fed avance no debate sobre cortes, o Banco Central sinalize o início do ciclo de afrouxamento da Selic e o calendário eleitoral de 2026 ganhe relevância, o que tende a trazer mais volatilidade para o câmbio", explica.

No Brasil, o movimento é potencializado pelo diferencial de juros ainda muito elevado, que, segundo Duarte, sustenta operações de carry trade, e por um fluxo estrangeiro robusto para a bolsa.

Contudo, o dólar perdeu força de maneira global. Riscos fiscais e políticos nos Estados Unidos tem contribuído para enfraquecer ainda mais a divisa norte-americana, segundo Rich Asplund, analista da Barchart.

Asplund cita como fatores incidentes a possível intervenção cambial norte-americana com o Japão para fortalecer o iene e a retirada de capital de investidores estrangeiros dos Estados Unidos.

De acordo com Asplund, a especulação de que os Estados Unidos poderiam coordenar uma intervenção cambial com o Japão para fortalecer o iene está em consonância com a aparente visão do presidente Donald Trump, segundo a qual um dólar fraco é benéfico para os Estados Unidos, como um estímulo às exportações norte-americanas.