• Conheça nosso jeito de fazer contabilidade

    Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Vestibulum sit amet maximus nisl. Aliquam eu metus elit. Suspendisse euismod efficitur augue sit amet varius. Nam euismod consectetur dolor et pellentesque. Ut scelerisque auctor nisl ac lacinia. Sed dictum tincidunt nunc, et rhoncus elit

    Entenda como fazemos...

Notícia

Engajamento não é excesso: é equilíbrio ao longo da vida

Pesquisa internacional mostra que engajamento sustentável passa por equilíbrio entre trabalho, vida pessoal e propósito, e não pela lógica do excesso nas organizações

Durante muito tempo, falar de engajamento no trabalho foi quase sinônimo de entrega total. Longas jornadas, disponibilidade constante e a ideia de que o trabalho deveria ocupar o centro da vida eram vistas como sinais de comprometimento e até de sucesso. Hoje, essa lógica já não se sustenta. Não porque as pessoas deixaram de se importar com o trabalho, mas porque passaram a valorizar a própria vida de forma mais ampla.

Os dados mais recentes da pesquisa Pilares de Engajamento do Trabalhador, realizada pela Pluxee em parceria com o Ipsos, com quase 9 mil profissionais em 10 países, mostram com clareza esse movimento. No Brasil, 57% dos trabalhadores afirmam que a vida pessoal é mais importante do que o trabalho, e apenas 12% consideram o trabalho como o centro de suas vidas. Ainda assim, o engajamento segue alto — o que nos leva a uma constatação importante: o engajamento não desapareceu, ele mudou de forma.

Essa mudança tem menos a ver com desinteresse e mais com maturidade. As pessoas passaram a compreender que trabalham melhor quando conseguem integrar, e não colocar em disputa, as diferentes dimensões da vida. Engajamento, hoje, é sobre sustentabilidade emocional, propósito e autonomia, e não sobre performar no limite o tempo todo.

Quando olhamos para o contexto brasileiro, essa leitura fica ainda mais evidente. A pesquisa revela um país otimista, em que 85% das pessoas confiam no próprio futuro e 77% se dizem positivas, mas também pragmático. Embora 88% gostem de suas empresas, apenas 29% permaneceriam nelas indefinidamente se o interesse deixasse de existir. Não se trata de falta de lealdade, mas de uma relação mais consciente, baseada em troca real.

Esses são insights fundamentais para as lideranças e áreas de Recursos Humanos. O vínculo com a empresa continua forte, mas ele já não define a identidade do indivíduo. Globalmente, 71% afirmam que o trabalho é importante, mas não define quem são. No Brasil, essa percepção vem acompanhada de uma valorização ainda maior das conexões humanas: família, amigos, colegas e comunidade são elementos centrais de qualidade de vida para 62% dos trabalhadores, percentual acima da média de outros países emergentes.

Engajamento não tem uma única forma

Outro ponto que merece atenção é a ideia, ainda muito presente nas organizações, de que existe um único jeito “certo” de se engajar. A realidade mostra o contrário. As pessoas se relacionam com o trabalho de maneiras diferentes, de acordo com seus valores, prioridades e momentos de vida.

Há quem concentre grande parte da energia na carreira, quem busque equilíbrio, quem veja o trabalho sobretudo como meio de sustento e quem procure nele um canal para gerar impacto social. Durante muito tempo, o profissional que colocava o trabalho acima de tudo foi exaltado como modelo. Hoje, com a ampliação das discussões sobre saúde mental, bem-estar e produtividade sustentável, esse ideal começa a ser questionado.

Essa diversidade de perfis não é um problema a ser corrigido, mas um dado da realidade a ser compreendido. Ela reforça que não existe um modelo único de engajamento que funcione para todas as pessoas, em todos os momentos. Ignorar isso é insistir em expectativas padronizadas em um mundo cada vez mais diverso e humano.

O engajamento também muda ao longo da vida

Além disso, o engajamento não é estático. Ele acompanha os ciclos da vida. Em diferentes fases, as prioridades se reorganizam, seja por questões familiares, de saúde, financeiras ou de propósito. Esperar o mesmo nível de entrega, da mesma forma, ao longo de toda a trajetória profissional é desconsiderar a complexidade da experiência humana. Empresas que reconhecem essa dinâmica constroem relações mais sólidas e duradouras — não porque cobram menos, mas porque compreendem melhor.

Isso não significa que o trabalho perdeu relevância ou que o desempenho deixou de importar. Pelo contrário. Quase metade dos profissionais globalmente afirma dar o máximo de si, enquanto outros 34% adotam uma postura equilibrada, cumprindo expectativas e estabelecendo limites. No Brasil, o desengajamento afeta apenas uma minoria. O que mudou foi o entendimento de que engajar não é esgotar.

Antes de avançar em agendas mais amplas, como ESG, os trabalhadores esperam que o básico esteja garantido. Condições de trabalho justas, reconhecimento e cuidado real continuam sendo pilares inegociáveis. O salário segue como prioridade para mais da metade dos profissionais, mas benefícios alinhados às necessidades individuais, autonomia e um ambiente acolhedor fazem toda a diferença para sustentar o engajamento no longo prazo.

Talvez o ponto mais simbólico dessa transformação seja o valor do tempo. Tempo para si, para os outros, para viver. O tempo deixou de ser apenas um recurso produtivo e passou a ser um indicador de bem-estar. Empresas que reconhecem isso e constroem relações baseadas em reciprocidade tendem a ter profissionais mais conectados, mais saudáveis e, consequentemente, mais engajados.

No fim das contas, falar de engajamento hoje é falar de pessoas inteiras, não apenas de profissionais. É aceitar que o trabalho faz parte da vida, mas não precisa ser tudo. E é justamente esse equilíbrio que permite que o engajamento exista de forma mais honesta, humana e sustentável.